domingo, setembro 06, 2009

Debate - Aborto, exercício de poder


Na verdade falo de uma opinião que é minha e que eu defendo pelo motivo mais importante que penso achar que existe. Eu sou mãe de um casal de crianças, não sou absolutamente o que chamamos de rainha do lar, sempre trabalhei fora, atualmente estou dona de casa, e posso garantir-lhe que é uma tarefa muito difícil, mesmo tendo uma querida pessoa que me auxilia nas funções doméstica que confesso não ser muito fã. Sei como fazer e como que quero que seja feito, mas fazer que é bom não é o meu forte. Sem contar as crianças que me solicitam o dia todo, diferente da atenção que dispensava á elas enquanto trabalhava fora. Sempre procurei ter muita qualidade com o tempo que passo com eles. Não falo de freqüentar o shopping todo final de semana, nem de viajar ou de compras, curso que atolam a vida deles, mesmo que necessários, ou mesmo tendo o psicólogo duas vezes por semana para eles e para mim. Que nada! Ficamos juntos, conversamos, competimos o mesmo espaço, nos respeitamos e aprendemos juntos, erramos muito também, mas conhecemos os olhares, os tons de voz, sabemos quando uma coisa incomoda, enfim somos uma família. Vi o tanto que trabalhar fora acaba sendo mais fácil. Mas o quanto que ser mãe é uma questão de escolha. E essa foi a minha, algo que nunca me arrependi. Mas a conversa nem é sobre isso não é mesmo? Eu sou contra o aborto. Vou repetir sempre isso, a não ser que tenha motivos de saúde para mãe e filho, que a gravidez tenha ocorrido por outros motivos que não os chamados normais. Não acho que haja algo que tenhamos que lutar para conseguir alguma coisa que seja mais importante que o direito a vida.Esse discurso abortista realmente gira sobre um eixo que está indo no caminho inverso daquilo que penso.

Não quero ser uma mulher que faz ou deixa de fazer alguma coisa por conta dessa teoria, tese, estudo, estúpida que queremos ter pênis,(foi Freud que a escreveu não foi?) Esse cara era muito malvado com tudo, que é isso! Ué, quantos homens querem ter útero também, no mínimo, e aí é uma escolha do individuo. Não pode simplesmente existir a possibilidade de um ser, ser.

Eu sou mulher, minha opção foi ser mulher, mas isso não condena quem teve outra. Ah! Quer dizer então que todo mundo é a favor do aborto, mas na hora que mexe com a sexualidade, mexe com o ao lado. Qual a dificuldade em simplesmente aceitar a escolha do outro. Mas não! Isso não é normal. Normal é vulgarização do valor da vida. A mulher tem os mesmo direitos que os homens, como os homens tem os mesmo direitos que as mulheres, e os deveres também são na mesma proporção? ou temos que considerar outras questões? Realmente são duvidas que tenho. Mas a única certeza nisso tudo é que nem homem nem mulher, nem nada que se defina como ser humano tem o direito de abortar o direito a vida. Mania que as pessoas tem de falar pela outras pessoas. Eu não sou a favor do aborto não. Mas também não sou a favor de não poder fazê-lo por que alguém disse que não posso. Eu sou mulher e devo ter o direito de escolher, a opinião masculina nesse caso tem peso, mas não em igualdade, eu nunca antes tinha lido tantos absurdos de uma vez só, um eixo que gira em torno do quê? De direitos em cima da existência de outro ser. Se a preocupação com os direitos da mulher é tão grande então precisamos fazer a nossa parte, ou todo caso de gravidez provem de violência? Porque as mulheres engravidam dessa maneira instintiva? Será que exigimos educação e informação sobre nossos direitos reais e lutarmos por ele? Não sei onde essas preocupações poderão melhorar a vida das mulheres, mas não sei onde poderá não ajudar também. E se um dia essa informação for aplicada e se for hoje que elas poderão alcançar essa educação e informação de como evitar uma gravidez. Mulheres que aprendem desde menina a ter conhecimento sobre coisas que elas só vem a saber quando já são adultas. Um preparação física e mental sobre os danos de uma gravidez indesejada, e se, se sentem preparadas para essa empreitada , seria uma nova geração de pessoas que estão de novo aprendendo a respeitar a vida . E antes de virem falar sobre crianças que morrem de fome e de doença por esse mundo a fora...Que um feto com esse ou aquele tempo de gestação não pode significar vivo ou com alma sob esse ou aquele ponto de vista. Usar a conveniência do machismo para adquirir um direito que ninguém tem.Ah ! Não sei onde tudo isso vai dar, sei que as conquistas foram muitas e todas significativas para a nossa inclusão nesse mundo, mas não quero saber que lutei para essa conquista pelos motivos que citou especificamente.Essa idéia para mim é inconcebível, a não ser por gravidez ocasionada por violência ou risco de vida para ambos. E isso nada tem ou deixa de ter com o sexo masculino. Ter o direito de escolher sobre o próprio desejo de querer ou não existir, acho que é um direito legítimo do ser, independente do sexo. Mas ninguém tem o direito de fazer isso com quem não tem a escolha como opção. Diante disso todas as teorias decorrentes não validam sua existência. Essa é a minha opinião, pode me chamar do que quiser, eu me chamo de mãe.O grau de utopia é grande, o de alienação nem tanto.

5 comentários:

Georgia disse...

Selena, eu também nao sou a favor.
Há tantos caminhos que impedem uma mulher de se deixar engravidar, ainda mais hoje em dia com tantas informacoes e facilidades. Se engravidou tem que assumir.
Em casos como você citou sobre risco de vida da mae, concordo com você, mas cabe a mulher decidir.
Quando estava grávida da Viviane aos 42 anos, e ela tinha uma cabeca grande para os meses que ela tinha a médica ficou meio assustada e queria fazer um exame de risco para o bebê para ter a certeza se ela nasceria com a Sindrome de Down; Christian e eu respondemos que nao nos interessava saber pois nao iríamos abortar. Ela tentou com mil e uma explicacoes e eu lhe respondi: Se o bebê nascer assim, será assim. No momento só quero curtir a minha gravidez.
Viviane nasceu sem nada, fizemos todos os exames com ela e nada. O pai tem cabeca grande e minha mae é paraibana. Agora vc imagina de onde ela tinha o cabecao?

Acho que quando se sabe o que quer nossas atitudes têm outros caminhos.

Uma linda semana e ser mae é isso ai, rs.

Beijso

Luísa disse...

Mais uma vez, corrobor a sua opinião!
Ainda por cima, no tempo em que estamos, há tantos métodos para evitar a gravidez! Infelizmente, há também muita irresponsabilidade, pois não se previnem de nada!
Difícil é educar para...mas cá estaremos, para poder formar os filhos na responsabilidade dum relacionamento e para lhes mostrar que uma relação pressupõe amor´Tudo gira á volta disso...

Contra o aborto, claro!
Beijinho terno

Chica disse...

Eu participei do debate sobre esse tema na Marisa e concordo com tua opinião.Há tantas coisas pra fazer pra evitar, não precisamos descartar os filhos...Fico louca da cara co isso, pois tanta gente se submete a longos tratamentos para engravidar, outras jogam fora, matam...beijos,chica

Selena Sartorelo disse...

Olá Georgia.
Creio que a questão do aborto não pode ser associado ou usado em nome de movimentos, pois ele está acima de nossas conquistas.
Não acho que podemos ter o direito de escolha no quisito vida e morte vida.

Acredito que um dia que o ser humano conquistar o direito de escolha em abortar ele estará conquistando fazendo a sua pior conquista. A conquista de não mais poder escolher.

Acredito Georgia que o nascimento e a morte não cabe a nós escolher, falo sem dogmas, o nascimento é renovação e todo organismo precisa de celulas novas para existir.

Quanto ao assumir um gravidez e a educação de um filho, não sabemos quem está melhor ou pior preparado, mas enxergamos as circunstâncias que nos fazem chegar mais próxima de uma conclusão.

Tive duas gravidez, e às vezes pensava se meu bebe estava bem, se podia ter algo errado com ele, e conhecia já esse exame que mencionou, mas optei por não fazê-lo também. Não tratava-se de uma questão de aposta mas de aceitação, naquele momento em teoria eu me achava a mulher mais forte do mundo e meu amor pelo meu filho estava acima de qualquer dificuldade que ele pudesse vir a ter. Meus filhos são crianças como todas as crianças, mas de verdade Georgia hoje quando vejo uma mãe com filhos especiais não me enxergo tão grande assim e agradeço muito a Deus por perceber isso em mim.

beijos minha querida, sabemos como mães que hoje somos o quanto amamos incondicionalmente esses seres não é mesmo?

Olá Luísa, Sim a falta de informação e conscientização tanto para a mulher como para o homem também ainda é um grande obstáculo para evitar que tantas gravidez indesejadas aconteçam.
Acredito na família sim, mas hoje também a familia está mudando e temos que aceitar isso, pois familia é um grupo de pessoas que crescem juntas baseados em amor, repeito, confiança, união e muitos outros valores que encaminham o ser humano para a sua própria evolução, e não exatamente um grupo de pessoas obedecendo castas e modelos perfeitos e felizes.
Outra coisa que precisa ser discutida com muita atenção e cuidado...enfim.

Beijos Luísa e obrigada,

Olá Chica, Ontem fui ler os textos do debate e esse texto é um comentário que fiz para a Marisa e como não consegui publicá-lo lá o postei aqui pois lá foi recusado pelo número de caracteres que tem.
E acho esse assunto importante e precisamos debatê-lo com muita seriedade.

Beijos e obrigada por comentar,

Georgia disse...

Novamente concordo com você selena. Também nao me vejo uma grande mae, quando encontro maes que tiveram seus filhos especiais. Na verdade, acredito que Deus permite que aconteca a cada um por saber que Ele pode contar com aquela pessoa. Sei que tb muitas familias nao agüentam passar por tal coisa. Mas nenhuma de nós está livre; um acidente pode nos deixar um filho especial ao longo do caminho. No mais, é agradecermos todos os dias por cada dia.

Um grande beijo