sexta-feira, março 20, 2009

MARIONETES E MANIPULADORES


UMA MENSAGEM PARA O PRESIDENTE.



“Nos lugares mais pobres mora a ESSÊNCIA da raça” . (palavras de um presidente, compreensão de uma anta).

(Esta frase foi dita pelo presidente Lula em algum lugar, e num momento que desconheço e evidentemente num contexto ignorado por mim também).




Em todos os lugares mora a essência da raça, na menção mais nobre que a raça possa ter.

Apesar de receber uma educação precária, essa raça sente, pensa e entende.

Mas infelizmente, não conhece o significado das palavras.

Falar seria um Shakespeare para os ouvidos.

Escrever... Camões, para as mãos.

E o entender seria a supremacia dos prazeres, um néctar da tragédia Grega.

Com a delicadeza de um perfume misturado a fumaça da pólvora num cenário doentio de um campo de concentração, enquanto ouvia-se Bach ao fundo, e Carmen em seu vestido vermelho dançava exalando tantos cheiros.


Mas parece que saber isto não lhes convêm, pois entenderíamos com toda essa essência muitas coisas que não lhes interessa que entendamos.

Então, se nem falar sabemos, escrever sabemos muito menos.

Talvez por isso, pensamos pouco e deixamos de fazer muita coisa.

Mas, infelizmente somos obrigados a ouvir de alguém que tem hoje mais acesso a palavra do que toda essa raça tem.

Palavras que subestimam a nossa inteligência e não somente nossa essência.

Ou só lhe ocorre que o acesso que você tem é o mínimo que essa raça tem direito também.

Como é possível esse digníssimo senhor dizer que um povo que não come bem, não dorme bem, não ganha bem, não vive bem, tem essência, o que sabe ele de essência.

Usa da arma mais sórdida para conquistar algo que nem foi ele que escreveu, nem foi ele que pensou, mas que foi convencido por um outro tipo de essência que ele é incapaz de perceber, que o faz pensar que ele é o “único percebedor” dessa honrosa essência.


Apesar de só ouvirmos mentiras.

Apesar de nascermos só com a essência.

E só termos ela para sobreviver.

Imagina se existisse para essa raça, o acesso a palavra e a escrita como tem o senhor.

Aliás as nossas essências são muitas, e a sua? O senhor sabe qual é?

E se tudo o que estiver escrito aqui estiver errado?

O senhor saberia me dizer sem a ajuda de ninguém.

Então de que vale só a essência?

Quer trocar?

Ou será que apenas alguns atributos compõem essa essência?

Inclusive, se não me falha a memória foi este mesmo presidente que fez um comentário sobre um time de futebol, mais ou menos assim..."Este time está plantando o que colheu".
São cometários tão apropriados vindos de uma pessoa essencial na minha vida.

MOMENTO FILOSÓFICO:


Frases no para-choque,



- Para cada coisa existem várias explicações, para todas as coisas existem explicações.

Basta acreditar em uma delas.



- O sinônimo da humildade é dizer que; “Se ignorância deixasse rico, eu seria milionário.”


- Auto-afirmação de um inseguro é admitir que; “A pior certeza, é ter certeza de suas dúvidas.


- O retrato da sabedoria é ouvir quando alguém diz ; “Só diga que sabe, quando viver esse aprendizado.”


- A perda da memória é pensar que: “Somos num número tão grande de pessoas, que não conseguimos mais guardar uma fisionomia.”


- Seu mundo será do tamanho da sua compreensão enquanto não enxergar os raios de luz que atravessa as fresta da janela.


- A loucura atinge seu cume quando descobre que; A consciência é a pior companheira da insignificância.


- A diferença entre o simples e o complicado está em entender que;

A complexidade da vida está na dificuldade em admitir que futebol e filosofia tem muito em comum.


- A expressão mais inteligente da soberba é quando ela menciona com desdém que;

"Pior do que isso, só se falasse “poblema”.


A grandeza do ser está em deixar que achas que és Deus porque pensas."


- Um conselho confirmado: “Quando alguém falar que a vida é cíclica, acredite!


...depende de quem seja o autor dela.


Na verdade eu nunca li nenhuma dessas frases em para-choque mas provavelmente devo ter lido alguma coisa tão estupida e parecida que me levou a esse tamanho absurdo, em achar que a idéia de um sentimento não copiado possuí um outro valor quando é percebido e sentido.

quinta-feira, março 19, 2009

EU TE AMO!


Preciso da tua permissão.
Desde quando quer minha submissão?
Pra quê?
Questiona meus egos pois não conseguistes soltar teus cabrestos.
Quer o meu limite?
"Foda-se."
Quer que eu diga tuas palavras.
Mas odeia que revelo teu sentimento.
Pois saiba, tenho meu próprio pensamento.
Baixa tua guarda.
Sou mulher!
Sou um ser!
Sou possível de ter.
Mas quase impossível de entender.
Não vou te agradar!
Vou me agradar!
Mas só consigo isso,
fazendo-o sentir
que eu te amo.

Minhas mãos tocam meu corpo num desesperado gesto de saudade.
Não há pudor em minhas carícias, mas é proibido se penso em você.
Não posso!.Não posso! Sinto meu sexo correr pelas minhas veias, sinto teu cheiro invadir minha pele, quero-te em minhas teias, e que confunda meus sentidos em cada beijo pedido.
Não me tomes por beata, nem por puta, sou apenas mulher.

quarta-feira, março 18, 2009

Despedida

Meu amigo, morreu!
Sim, hoje ele partiu...
Pessoa difícil !
Criticado pelas atitudes que tomava
e principalmente pelas palavras que proferia.
Alguns o odiavam e ainda odeiam,
outro dizia que nem o percebia .
Por muitas vezes isso ele merecia,
provocava, então, é o que queria.
Temperamento complicado. personalidade interessante...isso ele gostava
Orientação desorientada... isso ele negava
Poucos eram seus amigos perto do número de pessoas que diziam que o conheciam.
Eu era amiga dele.
Ele me respeitava.
Não tinha vergonha de ir contra muitos, e quando mal dele falavam, eu era muito mal vista quando dizia que sempre gostei dele sim.
Quando falávamos dele eu sempre repetia a mesma frase “acho que sou uma das poucas pessoas que eu conheço que gosta dele", e gostava mesmo, e ainda gosto.
E discordava sim, muito das atitudes que às vezes (quase o tempo todo) ele fazia.
Mas era preciso conhecê-lo, ao menos uma parte dele, desde que fosse verdadeira. Meu amigo era triste, sabia disso. Meu amigo morreu.

Carta dedicada a um homem que passou a vida inteira tentando encontrar a própria vida.

terça-feira, março 17, 2009

Meus Medos


Tenho medo da violência...mas também tenho da complacência
Tenho medo da solidão...numa multidão infinita.
Tenho medo da indiferença...sentida num afago.
Tenho medo do perdão...quando não é sincero.
Tenho medo de não ser...mas também tenho de ser.
Tenho medo de não ter...para onde ir.
Tenho medo de ir...e medo de ficar.
Tenho medo de sentir...e por ele ferir.
Tenho medo das certezas...por estabelecer limites tão precisos.
Tenho medo de não saber...ou mais ainda do achismo.
Tenho medo do saber...e por ele enlouquecer.
Tenho medo de entender demais aquilo que não sei.
Tenho medos que continuam desde que nasci.
Tenho medos que desapareceram depois que cresci.



Tenho medos que provam que envelheci.

segunda-feira, março 16, 2009

Apenas seja sincero(a)




Nunca imaginei!


Chegar
a esse ponto
então,
nem pensar!



Nunca usei de pretexto
para dizer o que penso

Se gosto
sinto
Se não gosto
sinto também

O pior é quando não tem o sentir.





Trata-se de uma paixão
que sucumbi a alma
Aquilo que ouço
que sinto
que enxergo
que toco





que respiro
que penso
Perceber
e principalmente
entender
que eu
não entendo
entender.





É como criar um outro mundo
repleto com tudo o que existe aqui
porem imaginado com a visão de outro criador




É!
é como
dar vida
a uma outra dimensão
existente
no seu
no meu
no mesmo tempo
Mesmo
sem tempo nenhum.




Na esperança, de não ser a única.
Não deixando de admitir
Quer que tenha teu gosto e tua distração
Precisa da semelhança para que

"Comparando-te”
verá uma identidade
que como qual as digitais
não se duplicam
mesmo as dos vitelinos
Mas talvez
quem sabe
as siamesas



Por isso não minta!


É única(o).


E
em tudo o que discordar

encontrará um jeito do papel apagar


mas nunca
da existência.


Sem a preocupação de acertar
uma vez que não me intitulo
e nem pretendo.

Não percebe que eu te provoco!
ignorando a mais simples das regras

e ainda assim
não me puni.


Se a certeza que
com o desprezo vai me fazer parar
está enganado.


Somente quando si pronunciar é que acalmarei
minha angustia
E
se não gostar
ao certo

que não cometerei mais esse crime.

Deixando a deriva da loucura
trancafiada nos lugares mais insólitos da mente.

Seu desenvolvimento é meu crescimento

quando o tempo
se faz presente.

Peço humildemente que comentes
pois se sincera for tua opinião
fará de mim tomar tento
do que penso
sobre a evolução
da minha normal condição
Séria brincadeira
entre a história
e a ficção.


Minha maneira
atrapalhada e esquisita
de dizer
é no escrever.
Muito abrigada!
abraços,
Selena Sartorelo

domingo, março 15, 2009

DIA INTERNACIONAL DA MULHER.


Ser mulher, uma opção que fiz, e não uma condição imposta.

Tertúlia Virtual


Antes da tentativa uma explicação:






Tudo começou com minha visita até o Bicho da Mata, pois sou fã de carteirinha da Senhora Urtigão, mulher séria com muita descontração.






Lá encontrei o post com convite ao "Desejo" da tertúlia virtual






Mas antes de a tertúlia visitar , no varal eu quis parar






Li um texto que adorei, e como não podia deixar de ser, pois, não consigo me conter claro! Comentei.
E sobre o Desejo saber, acabei por esquecer.


Eduardo me notou e meu comentário retornou, e no meio da resposta o desejo me lembrou.




Ainda bem que sou curiosa , e pena que sou preguiçosa, pois não sei como fazer para fazer alguém ler, e se puder me ajudar vou saber como participar.






Mas mesmo que não participe meu desejo realizei, que era simples e puramente esse texto escrever.










Desejo...


Alguns são sempre realizados
Mas
persistem por toda a vida.
Outros são passageiros
que nem cheiro de fruta
colhida no pé
que fica na lembrança.
Tem aqueles que de tão desejados
que são,
causam certa confusão
Desejos de cores e sabores
De formas e volumes
Desejos com sons
Desejos de sentimentos
Que causam palpitação
Sonhos são desejos
que os sonhos realizam
o equilíbrio da razão.
Desejar nada mais é
que um outro jeito
de amar.
Desejar é olhar para uma cor apenas,
E nela o arco-íris enxergar.
Desejar não é ter
É participar.

sábado, março 14, 2009

Sem tempo...


Sentada a janela vejo o tempo passar por mim ...




Apressaram-no quando ainda eu não o percebia...






Tornava-se lento quando eu tinha pressa...






Passou muito tempo sem que eu percebesse seu tempo. Pois estava muito ocupada com a vida de outros...








Parou quando percebi que a vida acaba de começar.

quinta-feira, março 05, 2009

AMA


Tua boca cala a minha

Teu corpo enrosca no meu, como uma trama embaraçada

A saliva escorre misturando-se ao muco que teu desejo produz

Durante essa explosão

O tempo não pode ser medido

A forma perde a máteria

Como uma bolha de sabão que olhada na luz do sol, é pura energia

criando a ilusão de imagens e cores que não cessam

Seu interior é invisível

Uma energia concentrada num instante sem tempo de duração

Uma energia concentrada numa película colorida e em constante movimento

na desmedida corrida

para se alcançar o ápice

Sua máxima

As sensações que o sentimento pode causar se o limite não foi por você estabelecido

No momento do gozo

encontra-se a plenitude

Que traga o tempo

Que estima a precisão da balança num equilibrio quase perfeito

Que atua em dois lados

naquele único ato despe-se de qualquer máscara

Que estende esse prazer para todos os momentos percebidos da existência.



arte: Afrodite e Adônis. cerâmica grega. 410 A.C.

quarta-feira, março 04, 2009

Pronunciamento


Desabafo de um cidadão.
Utopia, idealismo político, a hora de por em prática a tão dita filosofia popular.
E qual seria essa?
Um grande arrastão nas veias governamentais
Muita confusão espalhando e simplesmente mudando a sujeira do lugar
Delações e acariações que perduram sem resultados
Discursos inflamados, ofensas e lavagem de roupa suja
Ou, esclarecimentos com propriedades de possibilitar a prática da famigerada ética
O resgate de valores esquecidos.
Capacitando o futuro hoje, e munindo-o de educação, cultura e informação imparcialmente partidária.
Visar o bem comum compreendendo suas necessidades e aspectos.
Respeitar as diferenças.

Conscientizar as responsabilidades incluindo-se com um dos seus feitores.

terça-feira, março 03, 2009

EGO?


O ser é estrela
e é luz
Ele é o começo
e é o seu fim
Na história ele é forte
Mesmo quando está sendo fraco
Sua coragem depende tão e
intensamente da existência da covardia
Somos ciência e somos espírito
Somos a vida que convive com a desocupação de um espaço
Somos energia
Somos também encantamento
De um organismo que nos possibilita pensar
Que somos criação divina perpetua e plena
Infinita bondade

Não!
Não somos nem o nada

e nem o tudo

Somos a eclosão de um sentimento
Somos paralelos
Somos razão
Será?

OUTRORA


Encontro no teu espirito vadio

A alegre inrresponsablidade

do sonhador

aquele que é sentido

de puro amor


Procuro teu sonho com tudo o que acredito

mas não te alcanço

Vagueio por tuas palavras

que hoje me abandonam

Fico de alma vazia


Aceitei tua ilusão

sem exitar


Quero mais que o teu olhar

Quero mais que teu enxengar

Quero em você poder estar

E simplesmente assim

poder te amar.


segunda-feira, março 02, 2009

RASCUNHO DA INTENÇÃO!



Pensando o momento
Esquece o tempo
Não existe passado
E o futuro é ilusão
De outro momento
Cada qual uma
dimensão
Sem tempo
A simpatica vibração
quando chega o ar
as cordas do instrumento
quando se pensa
o próprio pensamento.


O novo pensamento nem

sempre é

um pensamento novo.


Espiritualizando a ciência
sensibilizando
a própria consciência
do conhecimento
sem entendimento


A ignorância toma conta
da chamada realidade
Enquanto a vida clama
para a tal humanidade

O aprender faz pensar
O afimar
estagnar.
Aniquilar a iniquidade
sem usar brutalidade
Pela ausência dos sentidos
tudo torna-se
apenas
mais uma simples
fatalidade.

domingo, março 01, 2009

Missie Binot

Licença...mecê Binô.
Apenas quem o conhecia, dele podia falar...

Com uma aparência sisuda, e um olhar de desconfiança que lhe escapava os óculos, assim ele se apresentava quando não queria ser incomodado, coisa rara a acontecer. Puxava a aba de seu surrado panamá pra junto da testa e alí ficava causando pavor a molecada da ilha.

Usava um jeans desbotado, que havia sido presente do filho, e uma bata de um tecido fino e transparente que ele mesmo cozia conforme seus lençóis iam ficando gastos.


Por razão da considerável perda de peso, o filho renovou os antigos trapos de vestir de seu pai, presenteando-o com trapos novos.

Esse jeans eu já conhecia a cerca de mais de três anos, foi quando esse filho fez sua última visita ao pai.


- Nossos velhos estão morrendo há séculos; e este é um fato inevitável.

- Evitável sim é o esquecimento.
Essas foram as ultimas palavras que o filho me disse antes de partir.


Passaram-se três anos desde a última visita, e passei todo esse tempo tentando entendê-las.


Ele não mudou sua rotina pela ausência, nem ficou mais triste pelo tempo que faz que o filho não vem vê-lo.
Nunca os vi brigando, suas discussões eram ricas para serem assistidas, eles se entendiam muito bem, mesmo quando não concordavam no assunto da roda.


O filho sabia que não adiantava comprar roupas novas para seu pai, que isso seria um dinheiro jogado fora, pois ele nunca as usaria.

E quando o filho via o pai vestido com aquelas estranhas batas, às vezes com indecifráveis estampas apagadas pelo tempo, sabia ele que, esse conforto era para o pai o que lhe bastava.


E quando o questionava sobre a calça jeans, por essa ser tão mais quente que o tecido da bata, então, ele respondia-me que a calça tinha que ser quente, pois quando suas bolas esfriassem, suas pernas já estariam aquecidas o suficiente para não adormecer seus pés, e a leveza da bata era justamente para quando o calor da andropausa o sufocasse, seu peito encontraria no agradável tecido uma leveza para respirar.


Sabíamos que embaixo daquele bronzeado adquirido em todos os seus anos, existia uma pele clara e delicada, e comprovávamos a desconfiança quando ele orgulhosamente sacava da carteira um pequeno retrato , e com ele exibia uma beleza forte e meiga possuída na juventude.


As prosas eram frequentes e os causos nunca se esgotavam, ele devaneava pelas experiências vividas ou apenas as ouvidas por um outro contador de causos.



Nas noites frias, a prosa começava mais cedo, afinal ele tinha a responsabilidade de proteger seus pulmões fragilizados por um dia ele não a ter tido.

E nesse caso reuníamos-nos pontualmente nesse horário antecipado para o deleite de uma prosa.

Quando o calor corria noite adentro a prosa ficava mais calma, pois vozes e gestos exagerados o fatigavam.


Entre o final do outono e o ínicio da primavera, aconteciam as melhores prosas, iam da calmaria ao exagero que sucumbia na oferenda de uma caneca quente que transbordava chá de erva cidreira.

Lembro do cheiro desse chá, com mais clareza do que a última refeição que fiz, tudo alí tinha um sabor especial, um som único, lembranças que guardarei para meus netos.


Nessas noites inesquecíveis, ele nos proporcionava momentos contando suas histórias ou pronunciando-se com tanta pureza suas opiniões, às vezes até, mal interpretadas se não o conhecêssemos bem, e se apenas só lembrássemos da primeira impressão causada por sua aparência dissimuladamente enganadora.

Quando ultrapassada essa etapa, conseguíamos ouvir o silêncio que acontecia quando davamos uma pausa para respirar ou suspirar, e esse era rompido com coaxados e zunidos que outros seres produziam enquanto ao se aproximarem dividiam conosco o espaço para ouvir aquela prazerosa narrativa.


Quantos Binot...

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

A MESMICE DISFARÇADA


As idéias estão putrefatas de tanto que foram repetidas.

E como poucas foram criadas.

A nostalgia cultuada como escudo em desculpa á nossa falta de condição em enxergar o futuro que vive nas gerações mais novas, que ganham em demasia tecnicamente e perdem com tristeza em conteúdo.

É um vício, a desmedida disseminação da aleivosia em beneficio próprio.

A preguiça disfarçada pela desculpa, o sentimento desassociado do temperamento, da cultura e da razão.
A importância de ter e ver o passado com sabedoria, sem parar de caminhar.

Usar uma vestimenta rara, pobre ou antiga, na intenção de lhe fazer entender o caminho.

E quando perceberes teus pés, já será tarde demais, pois chegastes à reta final.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

OLHOS DE TOSSAN


Os olhos querem ver
A luz surgir
A porta a se abrir
A alma quer sentir
Preciso entender
A calma que tua imagem trás
Os ingredientes pro viver
Os elementos do ser
Um sentimento de paz
Vou tentar
Não garanto conseguir
Essa beleza tocar
E com palavras fazer sentir
O que foi capaz de fotografar
Não precisa gostar
O meu decifrar
É apenas mais (a)mar
Na brincadeira de rimar
O delicado significar
do nosso jeito de olhar

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

APENAS



A inquietude que acalma tua alma
insatisfeita.



Que permite sentir
plenamente



Num desassossego
gostoso



que não nega
o desejo e a razão.



Que é pura
emoção.



Ela saboreia a liberdade
de tuas entranhas

e recebe a vida

como presente

e com descuido

consciente de seu fim

Prima por sentir

após muito pensar.

Na razão a opção de não trair

seu próprio existir.

O sentimento que flui

sem cor

mas com um novo

saber

de um sempre ser.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

CARTAS DE CARNAVAL: ILUSÃO E AFLIÇÃO, QUASE FICCÃO.


QUASE FICÇÃO

Esses são os planos prá esse carnaval.
Mais um feriado chegando.
Dias que são bons prá curtir a cidade.
Pensei - Vamos aproveitar prá comprar o tênis que nosso filho pediu.
Vamos estreiar o título do clube que acabamos de comprar.
Podemos aproveitar prá conferir se roupa barato é no centro da cidade que vamos encontrar.
O feriado começa prá nós na sexta-feira, exatamente ás dezoito horas, horário em que ele sai do trabalho.
Nada é perfeito, ele não vai passar o feriado inteiro junto com a gente, mas três dias com ele junto da gente, já é muito tempo, quando não se tem tempo nenhum.
E o feriado começa.
Fomos ao clube estava cheio, afinal era feriado, mas ninguém tinha pressa prá ir trabalhar, então ficavámos alí sem hora prá sair.
O shopping foi o programa da noite, estava bem movimentado, mas ninguém se incomodava com isso, estavámos passeando.
No outro dia fomos ao clube novamente, nada me deixa mais feliz do que vê-los juntos alí, é uma sensação tão boa que tudo desaparece ao nosso redor, só ficamos nós. Somos uma família real.
Aí! a segunda-feira chegou!
Então resolvemos ir para o bairro do Bom retiro, não permitimos que as crianças fossem, esse era um programa que precisávamos mais do que queríamos fazê-lo, e qual não foi a frustração. As lojas estavam fechadas, mas aquilo também não nos aborreceu, andamos mais um pouco e encontramos a rua José Paulino que é a rua que procurávamos, encontramos algumas lojas abertas, todas lotadas.
Andamos muito, rimos um pouco, suamos demais, compramos também menos do que rimos e do que suamos, mas compramos.
Voltamos prá casa, choveu muito naquela tarde, dormimos um pouco e jantamos barato.

Prá ele o feriado acabou, prá nós ainda não, amanhã é terça-feira de carnaval e ficaremos sozinhos como sempre ficamos. Mas sabemos que ele pensa em nós como nós pensamos nele.
O carnaval não ví, ele passou e não faço nem idéia de quem desfilou, muito menos que escola ganhou, quem bebeu e quem deu show. Mas em compensação ficamos todos os dias colados um no outro até dizer chega.



Ainda bem que não saí de casa nesse feriado.



ILUSÃO E AFLIÇÃO:


Imagina só se eu tivesse ido prá praia com todo aquele trânsito e falta de água, coisa que é muito comum nesses dias.

Eu não agüentaria aquela areia roçando no meio das minhas pernas, entrando embaixo das minhas unhas.

Um desfile de corpos de todos os tamanhos e cores estirados como se fossem roupa pra quarar ou carne prá charquear.

As cenas presenciadas se repentem insistentemente.

A mulher que bate a toalha para livrar-se da areia, e que o vento trás toda em minha direção. Por que é claro que a praia estava tão apinhada de gente, que mesmo que ela soubesse não conseguiria ser educada.
Aquele caldo meloso misturado a areia que escorre pelo corpo da criança que passa com um sorvete derretido nas mãos, não conseguindo mais distinguir qual era o sabor do sorvete ou do ranho que descia das suas narinas, e mistura-se em sua boca depois de uma crise de choro causada pelo derretimento do seu doce preferido.
Muito próximo da água vejo um atleta numa corrida matinal, fazendo uma deprimente exibição de seus músculos, ele vem acompanhado por um gigantesco animal preso há uma coleira.E ao seu encontro, vem uma mocinha que no despertar de suas frágeis formas trás seu pequeno poodle desesperado para sair daquele ambiente tão hostil á sua natureza.E não podendo deixar de perceber, vejo que apenas a extremidade das guias ocupam um pequeno lugar nas mãos dessas pessoas , mantendo-as assim, distantes o suficiente de seus animais.


Enquanto nos obriga a dividir essa tão esperada areia com as fezes de seus bichinhos de estimação.

E enquanto o movimento contínuo das águas que tráz incessantemente a areia, e num piscar de olhos a leva de volta.


Muita aflição só de lembrar.
Dentro de casa, sinto nos lençóis da cama aquela sensação de aspereza causada pela areia.

Sem contar o continuo zumbido durante toda à noite,principalmente quando se esquece o repelente.

Em todos os cantos que se toca tem areia.

Areia!

Você simplesmente não tem para onde fugir.
Dividimos o dia com o suor, o calor, a areia e a falta de educação e bom gosto.
Durante as noites, os lugares são todos lotados e barulhentos,o atendimento acaba tornando-se péssimo.
Existe ainda a possibilidade da previsão do tempo errar, o que é muito comum. E os dias serem chuvosos, tornando-se intermináveis.
Tem gente que não gosta do campo, odeia pernilongo, sapo, cheiro de baygom.
Desculpe!
Eu não gosto de praia.
Eu não gosto de areia.
Nos dias mais quentes testamos nossa resistência física ao ingerirmos uma enorme quantia daquele liquido gelado que desce por nossas gargantas, proporcionando muito prazer e frescor.
Deixando, alguns de pilequinho, e outros num lastimável estado de embriaguez, que faz você prometer que será essa, a última viajem com aquela pessoa .

Mas claro! Nunca fazendo-o desistir de ir para a praia nos longos feriados.

Perde-se um amigo, mas a praia, jamais!

Talvez se considerarmos o cheiro único, o som intenso que o mar nos trás,em qualquer hora, seja do dia ou da noite,mesmo estando chovendo, acaba sendo uma mistura de odores que nos excita.

O deslumbramento das crianças num mundo tão exótico e diverso, repleto de possibilidades e desafios, por mais desfavoráveis que sejam suas condições.

Aquela atração e fascínio causada pelo mar às fazem esquecer todos os dissabores diante daquele gigante.
Talvez, possa entender esse comportamento.
Um despojamento seguro e tão natural daquelas pessoas.
Que é capaz de nos causar inveja.

Imaginar todas as viagens que um único grão de areia já fez, e descobrir quantas vezes já se teve vontade de estar no lugar dele.
O testemunho da vida e da morte numa seqüência ininterrupta realizada pelas ondas.


A liberdade incondicional perdida na imensidão do horizonte.


E tristemente, conviver amando e odiando esses opostos sem ao menos percebê-los.


E principalmente, compreendê-los na sua mais simples e absoluta totalidade.


É! Pela areia tenho aflição.


Pelo mar tenho paixão.



segunda-feira, fevereiro 23, 2009

ESQUECIMENTO


Quantas vezes enxerguei
os diferentes tons
que a noite tem
São muitas luzes
uma cor apenas.

Os sons do dia
são os mesmos
porém seu ouvir
traz sempre
um novo sentir.

O movimento das águas
é todo o existir.
E ela é capaz
de num outro
sentido acreditar.

O ver e o ouvir
dá sabor ao viver
E um único momento
revela-o ser.
O esquecido nada mais é
do que a morte
de um sentimento.
Que encontra no novo,
o eterno renascimento
de todos os sentidos
de um único pensamento.

São recados subentendidos
de uma outra dimensão
Que um olhar não é o mesmo,
que o ato de observar
O vigiar tem intenção,
enquanto os aspectos
só cabem a razão

A palavra nada traz
se o fazer sentir
não for capaz
A palavra traz o cheiro
A imagem a ilusão
O pensamento toca o corpo
que desperta a emoção
O som é energia
é pura sensação.
Quando ao olhar
prá uma tela,
uma história me faz lembrar
O que era o esquecido,
acaba de ressuscitar

Entre muito sentimentos,
o de imaginar,
o ouvir ,os sons do existir
Entre tantos esquecidos,
o sentimento de união
De um tempo
sem geração