quarta-feira, março 18, 2009

Despedida

Meu amigo, morreu!
Sim, hoje ele partiu...
Pessoa difícil !
Criticado pelas atitudes que tomava
e principalmente pelas palavras que proferia.
Alguns o odiavam e ainda odeiam,
outro dizia que nem o percebia .
Por muitas vezes isso ele merecia,
provocava, então, é o que queria.
Temperamento complicado. personalidade interessante...isso ele gostava
Orientação desorientada... isso ele negava
Poucos eram seus amigos perto do número de pessoas que diziam que o conheciam.
Eu era amiga dele.
Ele me respeitava.
Não tinha vergonha de ir contra muitos, e quando mal dele falavam, eu era muito mal vista quando dizia que sempre gostei dele sim.
Quando falávamos dele eu sempre repetia a mesma frase “acho que sou uma das poucas pessoas que eu conheço que gosta dele", e gostava mesmo, e ainda gosto.
E discordava sim, muito das atitudes que às vezes (quase o tempo todo) ele fazia.
Mas era preciso conhecê-lo, ao menos uma parte dele, desde que fosse verdadeira. Meu amigo era triste, sabia disso. Meu amigo morreu.

Carta dedicada a um homem que passou a vida inteira tentando encontrar a própria vida.

terça-feira, março 17, 2009

Meus Medos


Tenho medo da violência...mas também tenho da complacência
Tenho medo da solidão...numa multidão infinita.
Tenho medo da indiferença...sentida num afago.
Tenho medo do perdão...quando não é sincero.
Tenho medo de não ser...mas também tenho de ser.
Tenho medo de não ter...para onde ir.
Tenho medo de ir...e medo de ficar.
Tenho medo de sentir...e por ele ferir.
Tenho medo das certezas...por estabelecer limites tão precisos.
Tenho medo de não saber...ou mais ainda do achismo.
Tenho medo do saber...e por ele enlouquecer.
Tenho medo de entender demais aquilo que não sei.
Tenho medos que continuam desde que nasci.
Tenho medos que desapareceram depois que cresci.



Tenho medos que provam que envelheci.

segunda-feira, março 16, 2009

Apenas seja sincero(a)




Nunca imaginei!


Chegar
a esse ponto
então,
nem pensar!



Nunca usei de pretexto
para dizer o que penso

Se gosto
sinto
Se não gosto
sinto também

O pior é quando não tem o sentir.





Trata-se de uma paixão
que sucumbi a alma
Aquilo que ouço
que sinto
que enxergo
que toco





que respiro
que penso
Perceber
e principalmente
entender
que eu
não entendo
entender.





É como criar um outro mundo
repleto com tudo o que existe aqui
porem imaginado com a visão de outro criador




É!
é como
dar vida
a uma outra dimensão
existente
no seu
no meu
no mesmo tempo
Mesmo
sem tempo nenhum.




Na esperança, de não ser a única.
Não deixando de admitir
Quer que tenha teu gosto e tua distração
Precisa da semelhança para que

"Comparando-te”
verá uma identidade
que como qual as digitais
não se duplicam
mesmo as dos vitelinos
Mas talvez
quem sabe
as siamesas



Por isso não minta!


É única(o).


E
em tudo o que discordar

encontrará um jeito do papel apagar


mas nunca
da existência.


Sem a preocupação de acertar
uma vez que não me intitulo
e nem pretendo.

Não percebe que eu te provoco!
ignorando a mais simples das regras

e ainda assim
não me puni.


Se a certeza que
com o desprezo vai me fazer parar
está enganado.


Somente quando si pronunciar é que acalmarei
minha angustia
E
se não gostar
ao certo

que não cometerei mais esse crime.

Deixando a deriva da loucura
trancafiada nos lugares mais insólitos da mente.

Seu desenvolvimento é meu crescimento

quando o tempo
se faz presente.

Peço humildemente que comentes
pois se sincera for tua opinião
fará de mim tomar tento
do que penso
sobre a evolução
da minha normal condição
Séria brincadeira
entre a história
e a ficção.


Minha maneira
atrapalhada e esquisita
de dizer
é no escrever.
Muito abrigada!
abraços,
Selena Sartorelo

domingo, março 15, 2009

DIA INTERNACIONAL DA MULHER.


Ser mulher, uma opção que fiz, e não uma condição imposta.

Tertúlia Virtual


Antes da tentativa uma explicação:






Tudo começou com minha visita até o Bicho da Mata, pois sou fã de carteirinha da Senhora Urtigão, mulher séria com muita descontração.






Lá encontrei o post com convite ao "Desejo" da tertúlia virtual






Mas antes de a tertúlia visitar , no varal eu quis parar






Li um texto que adorei, e como não podia deixar de ser, pois, não consigo me conter claro! Comentei.
E sobre o Desejo saber, acabei por esquecer.


Eduardo me notou e meu comentário retornou, e no meio da resposta o desejo me lembrou.




Ainda bem que sou curiosa , e pena que sou preguiçosa, pois não sei como fazer para fazer alguém ler, e se puder me ajudar vou saber como participar.






Mas mesmo que não participe meu desejo realizei, que era simples e puramente esse texto escrever.










Desejo...


Alguns são sempre realizados
Mas
persistem por toda a vida.
Outros são passageiros
que nem cheiro de fruta
colhida no pé
que fica na lembrança.
Tem aqueles que de tão desejados
que são,
causam certa confusão
Desejos de cores e sabores
De formas e volumes
Desejos com sons
Desejos de sentimentos
Que causam palpitação
Sonhos são desejos
que os sonhos realizam
o equilíbrio da razão.
Desejar nada mais é
que um outro jeito
de amar.
Desejar é olhar para uma cor apenas,
E nela o arco-íris enxergar.
Desejar não é ter
É participar.

sábado, março 14, 2009

Sem tempo...


Sentada a janela vejo o tempo passar por mim ...




Apressaram-no quando ainda eu não o percebia...






Tornava-se lento quando eu tinha pressa...






Passou muito tempo sem que eu percebesse seu tempo. Pois estava muito ocupada com a vida de outros...








Parou quando percebi que a vida acaba de começar.

quinta-feira, março 05, 2009

AMA


Tua boca cala a minha

Teu corpo enrosca no meu, como uma trama embaraçada

A saliva escorre misturando-se ao muco que teu desejo produz

Durante essa explosão

O tempo não pode ser medido

A forma perde a máteria

Como uma bolha de sabão que olhada na luz do sol, é pura energia

criando a ilusão de imagens e cores que não cessam

Seu interior é invisível

Uma energia concentrada num instante sem tempo de duração

Uma energia concentrada numa película colorida e em constante movimento

na desmedida corrida

para se alcançar o ápice

Sua máxima

As sensações que o sentimento pode causar se o limite não foi por você estabelecido

No momento do gozo

encontra-se a plenitude

Que traga o tempo

Que estima a precisão da balança num equilibrio quase perfeito

Que atua em dois lados

naquele único ato despe-se de qualquer máscara

Que estende esse prazer para todos os momentos percebidos da existência.



arte: Afrodite e Adônis. cerâmica grega. 410 A.C.

quarta-feira, março 04, 2009

Pronunciamento


Desabafo de um cidadão.
Utopia, idealismo político, a hora de por em prática a tão dita filosofia popular.
E qual seria essa?
Um grande arrastão nas veias governamentais
Muita confusão espalhando e simplesmente mudando a sujeira do lugar
Delações e acariações que perduram sem resultados
Discursos inflamados, ofensas e lavagem de roupa suja
Ou, esclarecimentos com propriedades de possibilitar a prática da famigerada ética
O resgate de valores esquecidos.
Capacitando o futuro hoje, e munindo-o de educação, cultura e informação imparcialmente partidária.
Visar o bem comum compreendendo suas necessidades e aspectos.
Respeitar as diferenças.

Conscientizar as responsabilidades incluindo-se com um dos seus feitores.

terça-feira, março 03, 2009

EGO?


O ser é estrela
e é luz
Ele é o começo
e é o seu fim
Na história ele é forte
Mesmo quando está sendo fraco
Sua coragem depende tão e
intensamente da existência da covardia
Somos ciência e somos espírito
Somos a vida que convive com a desocupação de um espaço
Somos energia
Somos também encantamento
De um organismo que nos possibilita pensar
Que somos criação divina perpetua e plena
Infinita bondade

Não!
Não somos nem o nada

e nem o tudo

Somos a eclosão de um sentimento
Somos paralelos
Somos razão
Será?

OUTRORA


Encontro no teu espirito vadio

A alegre inrresponsablidade

do sonhador

aquele que é sentido

de puro amor


Procuro teu sonho com tudo o que acredito

mas não te alcanço

Vagueio por tuas palavras

que hoje me abandonam

Fico de alma vazia


Aceitei tua ilusão

sem exitar


Quero mais que o teu olhar

Quero mais que teu enxengar

Quero em você poder estar

E simplesmente assim

poder te amar.


segunda-feira, março 02, 2009

RASCUNHO DA INTENÇÃO!



Pensando o momento
Esquece o tempo
Não existe passado
E o futuro é ilusão
De outro momento
Cada qual uma
dimensão
Sem tempo
A simpatica vibração
quando chega o ar
as cordas do instrumento
quando se pensa
o próprio pensamento.


O novo pensamento nem

sempre é

um pensamento novo.


Espiritualizando a ciência
sensibilizando
a própria consciência
do conhecimento
sem entendimento


A ignorância toma conta
da chamada realidade
Enquanto a vida clama
para a tal humanidade

O aprender faz pensar
O afimar
estagnar.
Aniquilar a iniquidade
sem usar brutalidade
Pela ausência dos sentidos
tudo torna-se
apenas
mais uma simples
fatalidade.

domingo, março 01, 2009

Missie Binot

Licença...mecê Binô.
Apenas quem o conhecia, dele podia falar...

Com uma aparência sisuda, e um olhar de desconfiança que lhe escapava os óculos, assim ele se apresentava quando não queria ser incomodado, coisa rara a acontecer. Puxava a aba de seu surrado panamá pra junto da testa e alí ficava causando pavor a molecada da ilha.

Usava um jeans desbotado, que havia sido presente do filho, e uma bata de um tecido fino e transparente que ele mesmo cozia conforme seus lençóis iam ficando gastos.


Por razão da considerável perda de peso, o filho renovou os antigos trapos de vestir de seu pai, presenteando-o com trapos novos.

Esse jeans eu já conhecia a cerca de mais de três anos, foi quando esse filho fez sua última visita ao pai.


- Nossos velhos estão morrendo há séculos; e este é um fato inevitável.

- Evitável sim é o esquecimento.
Essas foram as ultimas palavras que o filho me disse antes de partir.


Passaram-se três anos desde a última visita, e passei todo esse tempo tentando entendê-las.


Ele não mudou sua rotina pela ausência, nem ficou mais triste pelo tempo que faz que o filho não vem vê-lo.
Nunca os vi brigando, suas discussões eram ricas para serem assistidas, eles se entendiam muito bem, mesmo quando não concordavam no assunto da roda.


O filho sabia que não adiantava comprar roupas novas para seu pai, que isso seria um dinheiro jogado fora, pois ele nunca as usaria.

E quando o filho via o pai vestido com aquelas estranhas batas, às vezes com indecifráveis estampas apagadas pelo tempo, sabia ele que, esse conforto era para o pai o que lhe bastava.


E quando o questionava sobre a calça jeans, por essa ser tão mais quente que o tecido da bata, então, ele respondia-me que a calça tinha que ser quente, pois quando suas bolas esfriassem, suas pernas já estariam aquecidas o suficiente para não adormecer seus pés, e a leveza da bata era justamente para quando o calor da andropausa o sufocasse, seu peito encontraria no agradável tecido uma leveza para respirar.


Sabíamos que embaixo daquele bronzeado adquirido em todos os seus anos, existia uma pele clara e delicada, e comprovávamos a desconfiança quando ele orgulhosamente sacava da carteira um pequeno retrato , e com ele exibia uma beleza forte e meiga possuída na juventude.


As prosas eram frequentes e os causos nunca se esgotavam, ele devaneava pelas experiências vividas ou apenas as ouvidas por um outro contador de causos.



Nas noites frias, a prosa começava mais cedo, afinal ele tinha a responsabilidade de proteger seus pulmões fragilizados por um dia ele não a ter tido.

E nesse caso reuníamos-nos pontualmente nesse horário antecipado para o deleite de uma prosa.

Quando o calor corria noite adentro a prosa ficava mais calma, pois vozes e gestos exagerados o fatigavam.


Entre o final do outono e o ínicio da primavera, aconteciam as melhores prosas, iam da calmaria ao exagero que sucumbia na oferenda de uma caneca quente que transbordava chá de erva cidreira.

Lembro do cheiro desse chá, com mais clareza do que a última refeição que fiz, tudo alí tinha um sabor especial, um som único, lembranças que guardarei para meus netos.


Nessas noites inesquecíveis, ele nos proporcionava momentos contando suas histórias ou pronunciando-se com tanta pureza suas opiniões, às vezes até, mal interpretadas se não o conhecêssemos bem, e se apenas só lembrássemos da primeira impressão causada por sua aparência dissimuladamente enganadora.

Quando ultrapassada essa etapa, conseguíamos ouvir o silêncio que acontecia quando davamos uma pausa para respirar ou suspirar, e esse era rompido com coaxados e zunidos que outros seres produziam enquanto ao se aproximarem dividiam conosco o espaço para ouvir aquela prazerosa narrativa.


Quantos Binot...

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

A MESMICE DISFARÇADA


As idéias estão putrefatas de tanto que foram repetidas.

E como poucas foram criadas.

A nostalgia cultuada como escudo em desculpa á nossa falta de condição em enxergar o futuro que vive nas gerações mais novas, que ganham em demasia tecnicamente e perdem com tristeza em conteúdo.

É um vício, a desmedida disseminação da aleivosia em beneficio próprio.

A preguiça disfarçada pela desculpa, o sentimento desassociado do temperamento, da cultura e da razão.
A importância de ter e ver o passado com sabedoria, sem parar de caminhar.

Usar uma vestimenta rara, pobre ou antiga, na intenção de lhe fazer entender o caminho.

E quando perceberes teus pés, já será tarde demais, pois chegastes à reta final.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

OLHOS DE TOSSAN


Os olhos querem ver
A luz surgir
A porta a se abrir
A alma quer sentir
Preciso entender
A calma que tua imagem trás
Os ingredientes pro viver
Os elementos do ser
Um sentimento de paz
Vou tentar
Não garanto conseguir
Essa beleza tocar
E com palavras fazer sentir
O que foi capaz de fotografar
Não precisa gostar
O meu decifrar
É apenas mais (a)mar
Na brincadeira de rimar
O delicado significar
do nosso jeito de olhar

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

APENAS



A inquietude que acalma tua alma
insatisfeita.



Que permite sentir
plenamente



Num desassossego
gostoso



que não nega
o desejo e a razão.



Que é pura
emoção.



Ela saboreia a liberdade
de tuas entranhas

e recebe a vida

como presente

e com descuido

consciente de seu fim

Prima por sentir

após muito pensar.

Na razão a opção de não trair

seu próprio existir.

O sentimento que flui

sem cor

mas com um novo

saber

de um sempre ser.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

CARTAS DE CARNAVAL: ILUSÃO E AFLIÇÃO, QUASE FICCÃO.


QUASE FICÇÃO

Esses são os planos prá esse carnaval.
Mais um feriado chegando.
Dias que são bons prá curtir a cidade.
Pensei - Vamos aproveitar prá comprar o tênis que nosso filho pediu.
Vamos estreiar o título do clube que acabamos de comprar.
Podemos aproveitar prá conferir se roupa barato é no centro da cidade que vamos encontrar.
O feriado começa prá nós na sexta-feira, exatamente ás dezoito horas, horário em que ele sai do trabalho.
Nada é perfeito, ele não vai passar o feriado inteiro junto com a gente, mas três dias com ele junto da gente, já é muito tempo, quando não se tem tempo nenhum.
E o feriado começa.
Fomos ao clube estava cheio, afinal era feriado, mas ninguém tinha pressa prá ir trabalhar, então ficavámos alí sem hora prá sair.
O shopping foi o programa da noite, estava bem movimentado, mas ninguém se incomodava com isso, estavámos passeando.
No outro dia fomos ao clube novamente, nada me deixa mais feliz do que vê-los juntos alí, é uma sensação tão boa que tudo desaparece ao nosso redor, só ficamos nós. Somos uma família real.
Aí! a segunda-feira chegou!
Então resolvemos ir para o bairro do Bom retiro, não permitimos que as crianças fossem, esse era um programa que precisávamos mais do que queríamos fazê-lo, e qual não foi a frustração. As lojas estavam fechadas, mas aquilo também não nos aborreceu, andamos mais um pouco e encontramos a rua José Paulino que é a rua que procurávamos, encontramos algumas lojas abertas, todas lotadas.
Andamos muito, rimos um pouco, suamos demais, compramos também menos do que rimos e do que suamos, mas compramos.
Voltamos prá casa, choveu muito naquela tarde, dormimos um pouco e jantamos barato.

Prá ele o feriado acabou, prá nós ainda não, amanhã é terça-feira de carnaval e ficaremos sozinhos como sempre ficamos. Mas sabemos que ele pensa em nós como nós pensamos nele.
O carnaval não ví, ele passou e não faço nem idéia de quem desfilou, muito menos que escola ganhou, quem bebeu e quem deu show. Mas em compensação ficamos todos os dias colados um no outro até dizer chega.



Ainda bem que não saí de casa nesse feriado.



ILUSÃO E AFLIÇÃO:


Imagina só se eu tivesse ido prá praia com todo aquele trânsito e falta de água, coisa que é muito comum nesses dias.

Eu não agüentaria aquela areia roçando no meio das minhas pernas, entrando embaixo das minhas unhas.

Um desfile de corpos de todos os tamanhos e cores estirados como se fossem roupa pra quarar ou carne prá charquear.

As cenas presenciadas se repentem insistentemente.

A mulher que bate a toalha para livrar-se da areia, e que o vento trás toda em minha direção. Por que é claro que a praia estava tão apinhada de gente, que mesmo que ela soubesse não conseguiria ser educada.
Aquele caldo meloso misturado a areia que escorre pelo corpo da criança que passa com um sorvete derretido nas mãos, não conseguindo mais distinguir qual era o sabor do sorvete ou do ranho que descia das suas narinas, e mistura-se em sua boca depois de uma crise de choro causada pelo derretimento do seu doce preferido.
Muito próximo da água vejo um atleta numa corrida matinal, fazendo uma deprimente exibição de seus músculos, ele vem acompanhado por um gigantesco animal preso há uma coleira.E ao seu encontro, vem uma mocinha que no despertar de suas frágeis formas trás seu pequeno poodle desesperado para sair daquele ambiente tão hostil á sua natureza.E não podendo deixar de perceber, vejo que apenas a extremidade das guias ocupam um pequeno lugar nas mãos dessas pessoas , mantendo-as assim, distantes o suficiente de seus animais.


Enquanto nos obriga a dividir essa tão esperada areia com as fezes de seus bichinhos de estimação.

E enquanto o movimento contínuo das águas que tráz incessantemente a areia, e num piscar de olhos a leva de volta.


Muita aflição só de lembrar.
Dentro de casa, sinto nos lençóis da cama aquela sensação de aspereza causada pela areia.

Sem contar o continuo zumbido durante toda à noite,principalmente quando se esquece o repelente.

Em todos os cantos que se toca tem areia.

Areia!

Você simplesmente não tem para onde fugir.
Dividimos o dia com o suor, o calor, a areia e a falta de educação e bom gosto.
Durante as noites, os lugares são todos lotados e barulhentos,o atendimento acaba tornando-se péssimo.
Existe ainda a possibilidade da previsão do tempo errar, o que é muito comum. E os dias serem chuvosos, tornando-se intermináveis.
Tem gente que não gosta do campo, odeia pernilongo, sapo, cheiro de baygom.
Desculpe!
Eu não gosto de praia.
Eu não gosto de areia.
Nos dias mais quentes testamos nossa resistência física ao ingerirmos uma enorme quantia daquele liquido gelado que desce por nossas gargantas, proporcionando muito prazer e frescor.
Deixando, alguns de pilequinho, e outros num lastimável estado de embriaguez, que faz você prometer que será essa, a última viajem com aquela pessoa .

Mas claro! Nunca fazendo-o desistir de ir para a praia nos longos feriados.

Perde-se um amigo, mas a praia, jamais!

Talvez se considerarmos o cheiro único, o som intenso que o mar nos trás,em qualquer hora, seja do dia ou da noite,mesmo estando chovendo, acaba sendo uma mistura de odores que nos excita.

O deslumbramento das crianças num mundo tão exótico e diverso, repleto de possibilidades e desafios, por mais desfavoráveis que sejam suas condições.

Aquela atração e fascínio causada pelo mar às fazem esquecer todos os dissabores diante daquele gigante.
Talvez, possa entender esse comportamento.
Um despojamento seguro e tão natural daquelas pessoas.
Que é capaz de nos causar inveja.

Imaginar todas as viagens que um único grão de areia já fez, e descobrir quantas vezes já se teve vontade de estar no lugar dele.
O testemunho da vida e da morte numa seqüência ininterrupta realizada pelas ondas.


A liberdade incondicional perdida na imensidão do horizonte.


E tristemente, conviver amando e odiando esses opostos sem ao menos percebê-los.


E principalmente, compreendê-los na sua mais simples e absoluta totalidade.


É! Pela areia tenho aflição.


Pelo mar tenho paixão.



segunda-feira, fevereiro 23, 2009

ESQUECIMENTO


Quantas vezes enxerguei
os diferentes tons
que a noite tem
São muitas luzes
uma cor apenas.

Os sons do dia
são os mesmos
porém seu ouvir
traz sempre
um novo sentir.

O movimento das águas
é todo o existir.
E ela é capaz
de num outro
sentido acreditar.

O ver e o ouvir
dá sabor ao viver
E um único momento
revela-o ser.
O esquecido nada mais é
do que a morte
de um sentimento.
Que encontra no novo,
o eterno renascimento
de todos os sentidos
de um único pensamento.

São recados subentendidos
de uma outra dimensão
Que um olhar não é o mesmo,
que o ato de observar
O vigiar tem intenção,
enquanto os aspectos
só cabem a razão

A palavra nada traz
se o fazer sentir
não for capaz
A palavra traz o cheiro
A imagem a ilusão
O pensamento toca o corpo
que desperta a emoção
O som é energia
é pura sensação.
Quando ao olhar
prá uma tela,
uma história me faz lembrar
O que era o esquecido,
acaba de ressuscitar

Entre muito sentimentos,
o de imaginar,
o ouvir ,os sons do existir
Entre tantos esquecidos,
o sentimento de união
De um tempo
sem geração

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

O VESTIDO, AS ERVAS E O RIACHO.

Minha mãe havia mandado dona Alzira costurar um vestido para mim. Porque, é claro que se eu fosse pedir, ela não o faria.
Não sei por que dona Alzira não gostava de mim! Aliás, eu bem que sei! Que posso fazer se a filha dela era uma sonsa, nem estou dizendo feia.

Há cerca de dois meses antes do dia da encomenda de mamãe eu também encomendei um lindo vestido á ela, acho que foi essa, a penúltima vez que fui até a casa dela.
Ir até lá era uma coisa que sem saber, eu odiava fazer.
Dona Alzira morava perto de um riacho que me dava arrepios só em pensar que precisava passar perto dele.Esse riacho nascia há poucos quilômetros de nossa fazenda, e misteriosamente conseguia passar por todas as terras habitadas naquela região, desembocando no grande lago que tinha logo na entrada da cidade.

Mas, como queria muito aquele vestido, não conseguia achar outra maneira de tê-lo, se não fosse, eu mesma ir até lá para encomendá-l0.
Então fui, e pedi a ela que costurasse esse modelo que havia encontrado numa revista que tinha acabado de chegar da Capital.

Era a ultima novidade em moda no mundo, e ali naquele fim de mundo, ninguém sabia disso.
Eu tinha a certeza que se o usasse na festa de Miranda, todos só teriam olhos para ele.
Dona Alzira era simplesmente uma exímia costureira, e com tal atividade teria ela que ter as novidades em primeira mão, e sua filha seria a propaganda viva de seu trabalho.
Mas não era isso que acontecia, e sem a intenção, eu a irritava profundamente, e não foi diferente nesse caso.
Expliquei á ela como eu queria que ele ficasse, e não tive problema em frisar cada detalhe que nele eu observava.
Sabia dona Alzira que a riqueza de um modelo estava justamente em saber observar esses detalhes, e isso eu fazia muito bem. Ela observava com muita inveja aquele modelo, por ele não ter ido primeiro parar em suas mãos, e sim nas minhas.
A qualidade do corte apresentado naquele manequim exposto na revista era tanta que dona Alzira não se continha em saber que não poderia fazer um modelo igual para sua filha.

Uma vez ela o fez, e deu a maior confusão, pois ficou explicito que se tratava de uma cópia de uma encomenda feita por mim.


Então não me preocupava com esse perigo.
Estava ansiosa com o resultado, mas ela conseguiu fazê-lo exatamente como eu queria.
E não foi, que dona Alzira o entregou exatamente no dia do acontecimento.


Faltavam apenas algumas horas para a festa começar, e eu estava com ele em minhas mãos.

E naquele instante eu não tinha olhos para mais nada, apenas para ele.

Ele era maravilhoso, elegante, porém com referências específicas exigidas para a época. Poder-se-ia dizer que era muito requintado. Dona Alzira não deixou escapar um detalhe sequer, suas mãos bailaram com a tesoura na hora de seu corte, e com a agulha arrematou cada ponto que lhe fazia existir. Era de um azul turquesa que reluzia a luz da lua, deixando-o ainda mais intenso. O decote que descia pelo colo era coberto por uma malha delicada que formava em sua renda pequenas flores peroladas que contrastava delicadamente com o azul.
Já podia ver-me dentro dele.
Abracei dona Alzira com tanto deslumbramento que a encabulei, fazendo-a abraçar-me também.

Ao despedir-se, ela agradeceu o reconhecimento quando recebeu seu pagamento, e disse que qualquer coisa que precisasse ela estaria em casa.
Eu mal á ouvi, não conseguia ver à hora de entrar e experimentá-lo.

Preparei um banho bem quente, com eficientes ervas que minha mãe guardava dentro de algumas latas de sua coleção.
Dizia minha mãe que cada erva daquela tinha o efeito de curar um defeito e realçar uma qualidade, quando não, adquirir uma. Enfim que fazia bem para alguma coisa se soubéssemos usá-las.
Por isso então, eu já tinha o habito de furtar punhados de folhas contidas naquelas tão bem guardadas latas.
As furtava tentando fazer o menor barulho possível, pois minha mãe deixava sua coleção de latas exposta bem em cima do armário que ficava na sala principal, e por conta disso, tinha que ser muito habilidosa na hora de pegá-las.
Não que minha mãe não soubesse que eu as pegava, mas rezava a lenda que o efeito das ervas só se consumava se estas fossem roubadas, e nunca o ladrão poderia ser pego ou deixar que descobrissem sua escolha, se não seu efeito era cancelado.
Essa era mais uma das lendas que as envolviam, e minha mãe sempre a relembrava.
Não sabia se acreditava nisto ou não, sentia que minha mãe inventara isto, pois ela só estaria me ajudando se deixasse que as escolhesse, afinal somente eu sabia as que estava precisando.
E se ela participasse dessa escolha poderia influenciar-me.
Lembro-me que ela contava sobre o efeito que cada uma daquelas ervas causava e como e quanto dever-se-ia usá-las.
Ela nunca me dava a receita diretamente, contava-me uma história que numa necessidade, alguém usou-as, e por isso sabia ela para que cada erva daquela servia.Minha mãe era uma pessoa rara.
E não foi diferente naquele dia, assim que entrei dei uma boa olhada para ver se ela não estava por ali, e na confirmação, fui direto para as latas.
A primeira erva que peguei, foi a erva da sedução, essa eu sabia que não podia exagerar para não cair na vulgaridade.
Bem vestida eu estaria, pois no dia da encomenda do vestido eu tomei um banho com a erva do bom gosto.

Sempre ficava confusa nessas escolhas, eram tantas latas...A segunda que peguei foi a da sinceridade, não sei por que insistia nesta, as pessoas me parecem sempre mais felizes quando não são sinceras.
Enfim eu a peguei também, o complicado nesta é que o efeito não passa, ele se intensifica.
Agora a terceira eu tinha que pensar muito bem, porque era a minha ultima escolha.

Só era permitido pegar três por vez, isso eu tinha aprendido, quando achei bobagem esse alerta que minha mãe me deu em uma de suas histórias, achando que se tratava de mais uma lenda, e por tanta vontade que tinha de testá-las acabei desobedecendo-a e lembro que não eu muito certo,mas essa é uma outra estória.
Então, peguei um punhado de intuição.

Corri para o meu quarto e as cuidadosamente na joguei na banheira.

O vestido estava disposto sobre a cama e meus olhos não conseguiam ver outra coisa além dele.
Fiquei imersa mais de meia hora, e quando sai enxuguei-me delicadamente, afinal estava me preparando para algo que naquele dia era importante demais para mim.

Já era tarde..precisava arrumar-me mais rápido.

Naquela noite tudo conspirava ao favor meu favor.

Naquela noite também eu sentia muita vontade de estar especialmente bem apresentável.
Talvez por afirmação ou simplesmente por estar.

Sai renovada daquele banho, minha mãe já tinha me avisado que estava esperando por mim, mas não me preocupei, não tinha pressa para ficar pronta.
Enrolei-me na toalha e chamei-a para arrumar o meu cabelo.
Ela fez um bonito penteado deixando as mechas loiras que tinha soltas em apenas em um de meus ombros, dando a impressão que ele estava preso apenas de uma lado.

Assim que ela se retirou do meu quarto, fui até minha sapateira e apanhei um lindo par de scarpam, comprados especialmente para esta ocasião.

Depois abri a gaveta da cômoda e procurei minhas meias, não conseguia achar as ligas e acabei pedindo um par emprestado para minha ela.
Minha roupa intima tinha sido cuidadosamente separada, seguindo o critério de bem estar que gostava de sentir, então optei por um conjunto de calçola e uma camisete de seda pura, que não apertaria meu corpo e nem marcaria os elásticos no vestido.
Achava que não importava tanto o deslumbre exterior, quanto achava primordial o bem estar interior, e por isso elas foram escolhidas a dedo.

Parei por um instante em frente ao espelho e deparei-me com uma imagem que me fazia feliz.
Peguei o vestido em cima da cama e ajeitei-o em meus braços, para que ele deslizasse em meu corpo no momento da vestida.

Minha mãe sem saber interrompeu-me exatamente neste momento, avisando que já estávamos atrasadas, olhei –a quase irritada e percebendo o momento ela saiu do meu quarto com a desculpa de acalmar os cachorros que latiam sem parar.
Eu então fiz aquele retomei meu ritual e fiz aquele movimento que há horas esperava.
Peguei o vestido ele escorregou por meus braços descendo por meu corpo com um cheiro de lavanda que dona Alzira usava ao lavar suas obras antes de entregá-las aos seus donos.
Dona Alzira alegava que um corte deveria ser lavado quando ainda existia como uma forma geométrica e outra depois de ser moldado e cozido.
Ouvi do meu quarto quando Jairo conversava com minha mãe na sala ao lado.
Apesar de Jairo ser uma homem com uma figura bonita, ele causava-me um certo desconforto.

Confesso que não conseguia vê-lo com simpatia, sentia uma atração por ele que me causava arrependimento, como se aquilo fosse crime que misturava-se com medo.

Mas apesar de tudo isto...Mesmo assim, não me controlava na hora de provocá-lo.

Estranho, não me lembrava de termos combinado ir a festa juntos.


Precisa de ajuda para abotoar o vestido, ainda não dava pra saber como tinha ficado.
Ao entrar na sala Jairo e minha mãe pararam de falar e eu pedi para que um deles fizesse a gentileza de abotoá-los apontando para minhas costas.
Jairo prontificou-se e começou a fazê-lo.
Eu recebi um olhar de desaprovação de minha mãe por ter feito pedido tão provocante.
Fiz de conta que não percebi seu olhar, mas ela foi imediatamente distraída ao perceber que uma de suas latas não estava bem fechada.
Sabia que ao fazê-lo Jairo veria minha roupa intima, mas apenas o suficiente para despertar mais sua curiosidade.
Pedi para que me aguardassem mais um instante para terminar com as jóias e pegar minha bolsa que tinha deixado no quarto.
Fui para o meu quarto e abri um porta jóias que ficava em cima da penteadeira, abri meu armário e escolhi a bolsa que mais combinava com o sapatos.
Mas o que eu queria mesmo fazer, era olhar-me no espelho para saber como tinha ficado e nesse momento tive a certeza que dona Alzira era uma verdadeira artista, e que Jairo só estava ali para saber como eu tinha ficado, para então correr e contar para dona Alzira.
Não esqueço o momento que sempre que dona Alzira tirava minhas medidas ela as aumentava em quatro números, tendo eu que voltar lá varias vezes para fazer várias provas.
Mas naquele da encomenda dia disse a ela que estava com muita pressa e tinha trazido as medidas anotadas num pedaço de papel.
Ela não questionou pois não correria o risco de ser pega em flagrante e poderia fazer sua pequena maldade.
Pedi a dona Alzira que fizesse as provas do vestido em sua filha que tinha quase o mesmo corpo que eu, pois eu estaria viajando e chegaria as vésperas da festa, e ela sabia da minha aflição quando ia a sua casa, por conta do riacho.
Ela também não se opôs e como combinado entregou-me prontíssimo, e ali estava a prova. Quando anotei minhas medidas, havia tomado banho de ervas e naquele banho usei a erva de embair, e anotei quatro números a menos do que media, adulterando assim minhas próprias medidas.
Era sem duvida um risco que corria e não teria tempo de providenciar um vestido novo, caso ela não os alterasse como eu imaginava.

Então seguimos para o tão esperado evento social.
A festa foi um sucesso, e por mais que elogiasse dona Alzira pelo feito, ela parecia que não estava muito feliz, eu em compensação estava muito bem.
Naquela noite minha mãe havia me avisado que dormiria em nosso apartamento, pois precisaria estar cedo na cidade para acompanhar os preparativos do almoço que ela estava oferecendo ao meu pai por conta da sua chegada da Europa, e que tinha pedido a Jairo que me acompanhasse de volta até nossa casa na fazenda que ficava a mais de uma hora de viagem da cidade.

A festa foi maravilhosa e enquanto aguardávamos nossa carruagem, Jairo foi buscar seu cavalo que o atrelaria atrás da carruagem para sua volta.
Sugeri a minha mãe que me deixasse convidá-lo a dormir na fazenda, mas mesmo ela sabendo que todos os empregados dormiam na fazenda, com exceção do nosso cocheiro que precisava ficar para poder buscar meu pai na estação, mais um motivo que Jairo precisava me acompanhar, mas mesmo assim ela não permitiu achando que poderia estar colocando minha reputação em risco.

E minha mãe somente deixara-o acompanhar-me pois dona Alzira tinha garantido-lhe que Jairo estava mudado e que ela que ficaria na espera de seu retorno.
Jairo após deixar-me em casa, era obrigado a passar no sitio de dona Alzira pois sua casa ficava a poucos metros dali.

Minha mãe sentiu-se segura em permitir e afinal nossa fazenda ficava a menos de meia hora do sitio de dona Alzira, bem onde nasce o riacho.
E não seria incomodo nenhum ela esperá-lo uma vez que ele era obrigado a passar por ali, e ela mesma se prontificou a esperara-lo e no outro dia iria até a cidade para certificar minha mãe de seu retorno.
Eu estava satisfeitíssima com os resultados obtidos pelo banho de ervas.

E confirmava-os no cansaço dos meus pés, por não conseguir ficar uma dança sequer sem realizar, e quando não estava dançando , amigas chamavam-me para elogiar-me ou contar confidências ou então, pedindo conselhos sobre suas duvidas amorosas.
Estava exausta e nem a carona que tínhamos que dar a dona Alzira e suas filhas e os quilômetros a mais que tínhamos que percorrer me incomodava naquela hora.
Queria apenas entrar naquela carruagem e ver a hora de chegar em casa para descansar.
Após Jairo acomodar-nos dentro da carruagem, ele foi ocupar o lugar que o cocheiro havia deixado vago.
Dona Alzira e sua filha não esperaram nem a carruagem sair para poderem se desfazer de tudo o que as apertavam , começando por tirar os sapatos, espalhando-os pelo piso da carruagem e esses foram pulando como pipocas até a chegada no sitio de dona Alzira.

Quando chegamos dona Alzira e sua filha mal se despediram de nós, entrado em sua casa sem ao menos dizer boa-noite.
Seguimos viagem, e após algum tempo eu sem conseguir dormir começava a ouvir o barulho do riacho que ia crescendo em meus ouvidos dando-me a impressão que meus tímpanos fossem explodir.

Achava que o barulho aumentava consideravelmente devido ao medo que ele me causava, mas só fui perceber que o motivo era outro quando a carruagem abruptamente parou.

Dona Alzira dormiu, e somente no outro dia quando foi a cidade é que ela veio a descobrir que Jairo não dormiu em minha fazenda e nem retornou para sua casa, pois ele não chegou além do barulho das águas.

Nessa mesma manhã encontraram meu corpo com parte do vestido boiando no lago que ficava na entrada da cidade.

Depois de tudo, dona Alzira costurou apenas mais um vestido para mim, aquele que minha mãe havia pedido para ela fazer.
E era exatamente igual ao que usei naquela noite.

Minha mãe havia mandado dona Alzira costurar esse outro vestido para mim.
Porque como disse antes, é claro que se eu fosse pedir, ela não o faria.

Nesse dia o almoço em homenagem ao meu pai foi cancelado, pois agora eles tinham outros preparativos a fazer.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

A praça e o coreto.


"O dia passa e leva junto o momento, que transformará a vida no dia seguinte..."
Era o dia mais quente daquele verão... o calor invadia a alma, uma respiração pesada e vagarosa podia ser ouvida mesmo no meio da multidão que movimentava-se sem muito entusiasmo.
Os cachorros que descansavam sob as sombras das árvores espalhadas pela praça, ofegavam juntos numa letargia inevitável que aquela tarde trazia. Os velhos sábios admiravam cada detalhe que suas cataratas lhes permitiam ver.Seus semblantes eram insinuadores frenéticos de seus desagrados intestinais, que ocorriam incontroláveis a suas vontades, e os bons modos adquiridos na infância, hoje são esquecidos pelo tempo, que também lhes dá o direito e transforma seus prazeres. Senhores criadores, possuídores e realizadores de flatulências que não provocavam, mais nada, além do que algumas solidárias risadas pronunciadas discretamente por seus cúmplices e acompanhantes. Sentavam-se majestosamente em pequenos bancos distribuídos pelo gramado, e em antigas cadeiras de madeira que ficavam dispostas nos arredores de delicados e gastos tabuleiros de damas e xadrez ,esses eram sustentados, por uma coluna de cimento, transformando-os em mesas.
Aquela praça parecia um santuário habitada por seus mestres, que em seus leves, raros e lerdos movimentos, davam a sensação de um imenso painel pintado pelo olhar.
Assustavam-se de vez em quando, com o barulho dos galhos mais fracos, que estralavam sem ritmo algum por entre as árvores, pegando-os desprevenidos no cochilo, ou na contemplação de uma jogada. O céu trazia poucas nuvens, deixando assim seu azul perder-se numa imensidão silenciosa.
Mas aquela tarde foi interrompida com a chegada do seu Berneval, o secretário da prefeitura.
Ele viera acompanhado por dois caminhões repletos de homens vestidos com macacões que de tão amarelos doiama os olhos, cada um trazia pesadas ferramentas que acusavam muito barulho pela frente.
Seu Berneval parou, e como num exército, todos os homens ficaram imóveis, enquanto ele sacava do bolso os óculos, dependurando-o na ponta do nariz , e num gesto de muito impacto, tirava um envelope que carregava no bolso interno de seu elegante paletó.
Nesse momento todas as atenções eram do seu Berneval, e tendo consciência disso, ele deu inicio a uma trágica leitura.
Comunicado:
- “Senhores munícipes, os cupins chegaram e invadiram nosso coreto.
Eles chegaram sem serem percebidos, cada qual carregando um instrumento.
E envoltos em nossas ocupações, não percebemos a eficiência na realização de sua execução.
Sendo assim, a peça que eles executavam, não poderia ser ouvida por nós.
Então, no final do espetáculo, quando a orquestra já estava se retirando, após ter realizado uma peça dificílima e com perfeição, não deixando uma nota se quer sem ser regida ou tocada, e somente na sua retirada. Foi então, que nossos olhos perceberam a destruição causada por aqueles cupins, em nosso lindo e majestoso coreto.
E quando nos aproximamos, foi que percebemos, que aquela obra era definitiva para aqueles operários.
Por isso, senhores munícipes, uma operação de emergência foi acionada, e a intenção que a orquestra tinha de fazer outra execução na igreja matriz foi interrompida com muito êxito por essa comunidade.
E, com a aproximação das festas, nos vemos obrigados a realizar este concerto de improviso em nosso coreto.

Agradecemos a compreensão de todos os amigos desta praça."


E assim, seu Berneval leu seu comunicado, e ao sair , seus operários deram seqüência a tal reforma.
A praça, os sábios, os cachorros preguiçosos, os trauseuntes costumeiros suportaram pacientemente a quebra do silêncio que nem na hora da cesta era respeitado, tanta era a urgência da tal reforma.

E assim a praça ganhou um novo coreto, e a igreja foi salva e conservada, como se nunca, nenhum cupim por ali tivesse passado.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

PER

Prazer em conhecer!
Mesmo que para alguns isso seja; “ – Ah! é Só em e um pensamento”. Sendo que para mim; Se for um ou o pensamento? Então! é “Tudo”
(Selena Sartorelo)

"A Noogênese Está Progredindo?"

(por Maria Luiza Glycerio e Janice B. Paulsen)



TEILHARD DE CHARDIN (Pierre)
« Jesuíta e paleontologista francês (Puy-de-Dôme, 1881; New York, 1955. A obra científica de Teilhard de Chardin situa-se principalmente na Ásia : descoberta do Sinanthropo (1929), explorações na Índia, em Java, participação no Cruzeiro Amarelo (1931, etc.). Seus escritos teológicos e filosóficos, proibidos pela Igreja durante sua vida, foram divulgados depois de sua morte. Iluminados por uma visão sintética do desenrolar universal da Evolução, eles dão valor ao fenômeno de complexificação cerebral do phylum humano, que levou ao aparecimento da consciência de si mesmo ("passo" da reflexão), depois a uma rêde mundial de comunicação dos pensamentos humanos, a noosfera, no coração da qual age o "Cristo Evolutor" e é quem conduz a Humanidade, de maneira imanente e transcendente, ao mesmo tempo, para o "ponto Omega" (Reino de Deus). Ele escreveu um livro de destaque, "O Fenômeno Humano," publicado depois de sua morte. »
Le Grand Larousse Universel, Tome 14, p. 10095


Diante de tantas forças de destruição, neste fim de milênio,
a "consciência planetária" de Teilhard de Chardin continua sempre se realizando?



"A Noogênese Está Progredindo?"

(por Maria Luiza Glycerio e Janice B. Paulsen)


Noogênese e Noosfera

(o último parágrafo)
Evidentemente, o cérebro do Homem já se tornou bem equipado. Entretanto, pode-se perguntar, diante de tantas forças de destruição, neste fim de milênio, se esse cérebro se tornará suficientemente complexo e suficientemente capaz de reflexão, no sentido "noosférico", para iluminar a rota para o futuro. Para que a Humanidade evite sua auto-destruição no próximo milênio ; para que a Noogênese continue a progredir no bom rumo evolutivo, teremos que esperar por uma nova complexificação ou orientação no Espírito do Homem ? "O Homem, ... eixo e flecha da Evolução" (PH p. 24), irá tornar-se mais compreensivo em relação a seu Próximo e mais aberto espiritualmente em relação à fonte de sua Criação ? Ele irá empregar todos os enormes recursos materiais e técnico-sociais do planeta, para criar maiores vínculos econômicos, sociais e espirituais, em vez de se permitir capitular diante das forças de repulsão e de desintegração ?